Os Desejos

Os desejosO corpo emocional se expressa através dos desejos que manifesta, é a atração ou a repulsão que sentimos por determinados objetos que muitas vezes orientam nossas escolhas e moldam o tipo de vida que levamos. Por isso, os tipos de desejos que temos mais constantemente, e com os quais ocupamos nossos pensamentos e energias, podem nos ajudar a reconhecer quem somos, principalmente o egoísmo ou o altruísmo que desenvolvemos, a força dos nossos desejos ou da manifestação da vontade que dirigimos em direção a Deus.

 

Desejos diferenciados se manifestam em cada um dos estágios da evolução espiritual. As características dos desejos que dormem em potencial no corpo emocional são: intensidade, instabilidade, insaciabilidade, perenidade, irracionalidade e exclusividade.

 

Intensidade: Uma das características do desejo é a força que exerce sobre os outros corpos, o desejo passa a dominar nossos pensamentos, emoções e comportamentos. O desejo nos aprisiona e nos leva a viver para buscar a sua satisfação.

 

Instabilidade: O desejo varia segundo as circunstâncias, nós não temos controle sobre ele. Por isso, aparece sem que nos apercebamos e vai embora da mesma forma, quando outro objeto mais atraente nos chama a atenção.

 

Insaciabilidade: Enquanto sentimos um forte desejo por um objeto não conseguimos nos satisfazer completamente, sentimos uma tendência a buscar a satisfação em um movimento contínuo e repetitivo.

 

Perenidade: O desejo tem um tempo de validade geralmente curto. Quando nos sentimos donos do objeto que nos interessava perdemos o desejo de Possuí-lo.

 

Irracionalidade: Não conseguimos entender racionalmente porque estamos desejando ou porque deixamos de desejar, apenas somos invadidos pelos desejos.

 

Exclusividade: Enquanto nos fixamos no objeto de nosso desejo colocamos o compromisso que tínhamos assumido em segundo ou terceiro plano.

 

Conhecermos estas características pode nos ser útil para exercitarmos o domínio sobre os nossos desejos e nos libertarmos. A liberdade de escolha que comumente conhecemos por livre-arbítrio se amplia à medida que nos tornamos senhoras ou senhores dos desejos que habitam no corpo emocional. Enquanto somos governados ou desgovernados por eles seremos prisioneiros de nós mesmos, com poucas opções de escolhas, uma vez que estaremos subjugados pela força escravizante dos desejos.

 

Assim, a busca do prazer nos faz desviar-nos da meta, ela é fonte de ilusão. Nós nos apegamos ao reflexo e perdemos a luz. A terapia proposta por Fílon para tratar aquilo que ele considera “patologia” vai começar pelo “domínio dos sentidos”, porque “os sentidos geram o prazer”, e o prazer é um dos grandes fatores de alienação da criatura humana. Todas as realidades exteriores podem exercer decisiva ascendência sobre o ser humano e reduzi-lo à escravidão, os amigos do dinheiro procuram o dinheiro, e os amigos da consideração procuram a consideração, e é isto que os caracteriza. Pois entregaram o melhor ao pior, a alma às realidades inanimadas. Não se trata, para Fílon, de mutilar-se, nem de renunciar ao uso dos sentidos, mas de aprender a moderação. O que o aflige intensamente, nos banquetes pagãos, que denuncia vigorosamente, é a falta de medida, a devassidão que tira do ser humano os seus traços humanos. Não é mais senhor dos próprios sentidos e dos prazeres que os alimentam; está subjugado pelos sentidos. Aí só existe loucura, ou no mínimo uma “desordem”: o animal tornou-se senhor a quem deveria servir (LELOUP, 2009, p. 74).

 

No ocidente, vivemos em uma cultura que sobrevive do culto aos desejos; a indústria e o marketing trabalham todos os dias para nos convencer de que para sermos felizes precisamos consumir os novos objetos que chegam ao mercado. Desta maneira, para alimentar o sistema capitalista somos ensinados a associar alegria e felicidade à satisfação de desejos.

 

No caminho inverso ao incentivado pela cultura capitalista, encontramos aqueles que resolveram renunciar completamente aos desejos, se tornando indiferente e desprezando qualquer tipo de prazer.

 

Muito comumente encontramos esta atitude em pessoas que são movidas por duas razões diferentes. Percebemos uma rejeição aos desejos entre aqueles que buscam a espiritualidade, pessoas que negam seus desejos e se tornam alheias às emoções por considerarem que elas podem enganá-los e lhes conduzir para vivências degradantes. Para alguns espiritualistas, o corpo emocional e suas emoções são inferiores ao corpo mental e seus pensamentos.

 

Outro grupo de pessoas que rejeitam o prazer e as emoções é o formado por pessoas que se frustraram afetivamente, e que ao perder o objeto de seu desejo se sentem tão arrasadas que para não mais sofrer decidem nunca mais ter prazer e ou mesmo se emocionar.

 

O comportamento de negar totalmente os desejos pode ser tão destrutivo para a alma quanto o de se entregar completamente a eles, uma vez que as duas opções impossibilitam o aprendizado que precisamos ter sobre o domínio dos nossos desejos e as emoções, processo que requer experiência e reflexão. Além do que a energia do desejo é a mesma da vontade, com a qual podemos realizar nossos objetivos.

 

Este texto é do Livro Saúde Emocional em que explico os caminhos que utilizo para reconhecer e transformar as emoções e sentimentos que me adoecem em bálsamos que alimentam minha caminhada espiritual.